terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Deserto I




 O deserto não é um ambiente muito visitado por suas condições extremas e aparência pouco amigável. Passamos rapidamente por esse ecossistema, julgando que nada pode ser aprendido. Muitas vezes o associamos a solidão e a morte. Um local onde a vida é quase impossível.

Essa aparência “desagradável” e solitária é própria da paisagem e dos animais que habitam nesses locais. Espécies endêmicas, ou seja, encontradas apenas em determinado ambiente, são encontradas nos desertos. São serpentes, lagartos, escaravelhos, vegetais e outros. Encontramos também homens de espécie rara, os homens de Deus.

Muitos homens que Deus usou poderosamente foram primeiramente encontrados nos desertos, como: João Batista, Moisés, Davi e Elias. Todos esses indivíduos passaram algum tempo de sua existência no mesmo local, o deserto. Qual será o significado desse local para a vida de cada um deles?

Cada um desses homens viveu e passou pelos desertos em tempos distintos, mas o sentido foi mesmo para todos. Eles estavam sozinhos, havia pouca disponibilidade hídrica, escassez alimentícia e o clima era devastador. Sendo assim, eles passaram dificuldades em todas as áreas que o ser humano possui. Então o deserto pode ser entendido como um castigo para todos eles? Certamente que não.

Deus levou cada um desses homens para o deserto para tratá-los individualmente. Foi necessário estar em um ambiente onde as interferências externas fossem nulas. As pessoas que costumam nos desanimar ou então aquelas que recorremos quando estamos abatidos, não estavam presentes. Os alimentos sublimes que nos levam a gula, também não existiam. Todas as influências foram excluídas, para que Deus fosse o único foco desses homens.

“O deserto é a escola superior do Espírito Santo, onde Deus treina seus líderes mais importantes” [1]. Esses homens foram levados para um local longe de todas as interferências para que Deus trabalhasse com total liberdade na vida deles. Certamente foi um tempo difícil, pois eles estavam longe dos amigos, banquetes, família, etc. O tempo que cada um ficou na escola do Espirito Santo foi variado, já que cada um foi usado de forma diferente.

 Após esse período de aprendizado, cada um deles retornou para sua antiga cidade ou foi direcionado para outro local. A antiga cidade recebeu um novo homem. Uma pessoa que passa pelo deserto, de maneira nenhuma retorna igual. Aquele que estuda na escola do Espírito Santo é capacitado para realizar grandes coisas.
“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” [Salmos 23:4].

Elias foi usado por Deus para trazer a mensagem de Deus ao povo. Por meio dele o Senhor fechou os céus e fez descer fogo! Moisés Deus usou para tirar seu povo do Egito, e levá-los à terra prometida. Davi foi o homem que consolidou o território israelita e considerado como um homem segundo o coração de Deus. João Batista preparou o caminho para o Messias, aquele que trouxe salvação para a humanidade.


[1] Paulo, o maior líder do cristianismo – Hernandes Dias Lopes.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Confiança




Uma história. Em um pequeno vilarejo morava uma família de camponeses. A residência de dois andares era habitada pelo casal Johnson e seus três filhos. Certa vez os garotos resolveram se aventurar pela casa escura carregando uma tocha, mas por certo descuido a casa foi tomada pelas chamas. Todos correram para o lado fora, exceto o caçula da família, que ficou preso no segundo andar. Ele se dirigiu para a grande janela que havia na frente da casa. A fumaça o impedia de visualizar seus familiares, mas ele escutava os gritos de seu pai, “Pule meu filho, pois eu vou te agarrar”. Tomado pelo medo e a falta de visibilidade o garoto respondeu, “Pai, eu não o vejo, como posso pular?”. A resposta de seu pai foi crucial para encorajar o garoto, “Filho, você não consegue me ver, mas eu o vejo, confie em mim”.

Essa história nos conta a respeito da confiança. O relacionamento entre pai e filho é colocado à prova. A confiança que o filho tinha em seu pai foi determinante para sua decisão de pular ou não.

Da mesma forma é o nosso relacionamento com Deus, nosso Pai. Por várias vezes enfrentamos incêndios em nossas vidas, e corremos para a janela, a procura de socorro. Deus está do lado de fora gritando, “pode pular meu filho amado, eu vou te segurar!”, mas a nossa falta de confiança, nos faz hesitar e muitas vezes não pulamos.

A falta de confiança é algo terrível, pois não acreditamos em nosso próprio Pai, o relacionamento está enfraquecido. A causa desse enfraquecimento é a fumaça provocada pelo incêndio, já que ela nos impede de ver Deus. Tal impedimento pode tomar diversas formas, como uma demora em conseguir um emprego, namoro que não ocorre, projetos ministeriais que não se concretizam, e muitas outras situações.

Outra história. Certa noite, saí para uma caminhada ao redor de um lago artificial em Belmar. Do outro lado do lago havia um salão de festas chamado Barclay, que hospedava festas, convenções, recepções de casamento e assim por diante. Mais de cem pessoas faziam fila na porta da frente. Haviam todos acabado de chegar de um casamento na St. Rose Church, para a recepção que já havia começado. Podiam ouvir a música e as risadas, as pessoas bebendo e dançando. E a expressão no rosto deles! Estavam todos explodindo de ansiedade, seguros dos seus lugares reservados, mal podiam esperar para entrar[1].

O Noivo, Jesus Cristo, nos chamou para entrar e festejarmos como Ele. Estamos certos de que nossos lugares estão reservados. Sendo assim não há ansiedade no mundo que nos impeça de participar dessa festividade. Temos apenas de percorrer o trajeto da igreja até o local da recepção!

A palavra de Deus está repleta de versículos que nos ensinam sobre confiar em Deus. Em romanos temos um dos versículos mais lindos da Bíblia, em minha opinião, “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” [Romanos 8:32]. O salmista também diz, “Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará” [Salmos 37:5].

Confiar significa amar. Você confia apenas em pessoas que você ama. Sendo assim, confie em Deus plenamente.


[1] Evangelho Maltrapilho, Brennan Manning.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Soberania de Deus



“Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos” [Salmos 135:6].

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” [Colossenses 1:16-17]

“Não existe sequer um centímetro de nossa natureza humana do qual Cristo, que é soberano de tudo, não proclame ‘Meu!’"
A.B Kuyper

Definição de Soberano: Que ocupa o primeiro lugar; Absoluto; Supremo; Altivo; Dominador; Muito poderoso.
Deus é soberano sobre todos e todas as coisas, antes mesmo da criação do mundo.  Ele age da maneira que Lhe convém, quando Lhe convém e onde Lhe convém. Deus não presta contas a nenhum ser. “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” [Isaías 46:10].

“Ser Deus e ser soberano são coisas inseparáveis.”
Stephen Charnock

Como nós enxergamos a Soberania de Deus?
"Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus, Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles creem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas? Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová. Os homens se dispõem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono. Dispõe-se a deixá-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas. Deixarão que esteja em Seu dispensário a distribuir esmolas e a conceder benefícios. Permitirão que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, que acenda os luzeiros do céu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando nós proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, como também de dispor de Suas criaturas como Ele achar melhor, sem consultá-las sobre a questão, então os homens nos vaiam, nos amaldiçoam e se fazem de surdos para não nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono não é o Deus que eles amam. Mas é Deus no Seu trono que muito nos agrada pregar. É em Deus no Seu trono que confiamos"[1]. 
Deus têm tudo sob o seu controle, e nada consegue passar despercebido. Podemos pensar, em algum momento de nossa caminhada cristã, que Deus se esqueceu de nós, ou que certa área de nossa vida está “atrasada”. Esse tipo pensamento é relativamente comum, no entanto é errado, pois vimos que Deus é soberano sobre tudo e todos. Sendo assim, Ele sabe exatamente quando, onde, e de que forma Ele deve agir, “para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” [Romanos 12:2]. Nosso papel é confiar no eterno amor do Pai, e que Ele sabe exatamente de tudo, “SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó SENHOR, tudo conheces” [Salmos 139:1-4].
  
Ansiedade e a Soberania de Deus
Gostaria de analisar o capítulo 6 do livro de Mateus. Esse capítulo faz parte do Sermão do Monte, uma das mais belas passagens bíblias, onde Jesus perpassa por vários encalços da vida cristã, inclusive a ansiedade. Já no final, Cristo nos diz: “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” [Mateus 6:31-34]. Tudo já nos foi preparado, nos resta apenas confiar na graça do Pai. “Aquele que nem mesmo o seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” [Romanos 8:32]. 

Soberania de Deus e o Pecado
De alguma maneira o pecado faz parte do plano maravilhoso de Deus, caso contrário Ele não seria soberano, contudo Deus não o criou, caso contrário Ele não seria santo. “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” [Romanos 9:21-23]. 

A soberania de Deus anula a responsabilidade do homem?
Podemos dizer então que somos apenas fantoches na mão de Deus, pois Ele governa tudo segunda a Sua vontade? De maneira nenhuma! Somos responsáveis diante de Deus porque ele é o nosso criador e nós somos criaturas. No livro de Romanos, temos a responsabilidade moral dos homens [Romanos 1.18-32]. Somos responsáveis diante de Deus porque Ele é o ponto de referencia moral para o que é certo e errado. Somos responsáveis diante de Deus porque o propósito da criação é a glória de Deus “A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz” [Isaías 43:7]

“O ponto fixo do universo, o fato inalterável, é o trono de Deus.”
G. Campbell Morgan

[1] Sermão sobre Mateus 20:15 – C H Spurgeon