quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Coisas ou Pessoas




Nos tempos atuais as ideias capitalistas têm tomando proporções espantosas, atingindo todas as camadas da sociedade, até mesmo as de menor poder aquisitivo. Não estou falando do poder de compra ou do número de bens, mas a necessidade de possuir objetos e a importância que é posta sobre eles. Os objetos estão tendo mais significado do que as pessoas, fato é que as pessoas gastam muito tempo no computador, celular e outros dispositivos. Entretanto, pouco tempo é dedicado à família, lazer, ação social e outras relações sociais. Temos de ressaltar que existem exceções.

Podemos dizer que tal problema é exclusivamente atual, mas essa análise seria um erro. Há dentro do homem uma necessidade de atribuir as coisas uma importância exagerada, e em muitos casos, utilizar seus bens para se exaltar e sobressair sobre os demais. Um pensamento comum ao longo das eras é “quanto mais bens, objetos de valor, mais eu feliz serei”. Esse pensamento terrível foi aderido por muitos seres humanos. Contudo, o ser humano foi criado para viver em grupo, em sociedade, interagir com os seus semelhantes. Uma sociedade, segundo o dicionário: “Conjunto de pessoas de uma mesma esfera; Reunião de pessoas unidas pela origem ou por leis”. Sendo assim, não precisamos estar cercados de coisas, mas sim de pessoas.

Para corroborar nosso pensamento, vamos analisar um trecho de Marcos:

“Naqueles dias, outra vez reuniu-se uma grande multidão. Visto que não tinham nada para comer, Jesus chamou os seus discípulos e disse-lhes: Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer. Se eu os mandar para casa com fome, vão desfalecer no caminho, porque alguns deles vieram de longe". Os seus discípulos responderam: "Onde, neste lugar deserto, poderia alguém conseguir pão suficiente para alimentá-los?” "Quantos pães vocês têm?”, perguntou Jesus. "Sete", responderam eles. Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. Depois de tomar os sete pães e dar graças, partiu-os e os entregou aos seus discípulos, para que os servissem à multidão; e eles o fizeram. Tinham também alguns peixes pequenos; ele deu graças igualmente por eles e disse aos discípulos que os distribuíssem. O povo comeu até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram. Cerca de quatro mil homens estavam presentes” [Marcos 8:1-9a].

No deserto, onde há falta de mantimentos, água e muitas coisas vitais, estava uma multidão, seguindo Jesus. Essa multidão estava faminta, e precisava se alimentar o quanto antes para não encontrarem a morte. Tal situação levou Jesus a compadecer-se do povo. Esse é um ponto chave, pois Jesus é o Filho de Deus, que tem todo poder e autoridade. Ele poderia simplesmente ordenar e os anjos trariam um banquete nunca visto na terra. Contudo, essa não era a intenção do Mestre. Ele ensinou uma das maiores lições aos seus discípulos e a nós, As pessoas são mais importantes que as coisas. Naquele lugar deserto, existiam poucas coisas, podemos ressaltar poucos pães e peixes, e outros utensílios, mas havia uma multidão. Cristo mostrou amor àquelas pessoas, mostrando aos discípulos que devemos amar as pessoas. Ele utilizou as coisas para ajudar as pessoas, mais uma vez Jesus nos mostra que possuir coisas não é importante.

Outro aspecto de grande importância foi o momento em que todos se assentaram para se alimentarem.  A palavra comunhão significa, pessoas que se reúnem para juntas partilharem de uma refeição. Sendo assim, outra vez o Mestre nos instrui a nos importar com o próximo, separar um tempo de qualidade, para conhecer vivermos em comunhão com as pessoas ao nosso redor.

Uma grande verdade universal não foi lecionada em grandes universidades ou centros de pesquisa, mas em meio ao deserto, onde há escassez de quase tudo. O povo seguia Jesus, pois o Mestre estava ensinando. Nessa ocasião Ele ensinou uma das maiores lições, as pessoas são mais importantes que as coisas.

sábado, 29 de setembro de 2012

Um por todos e todos por um




A famosa frase “um por todos e todos por um” está presente no clássico “Os três mosqueteiros” de Alexandre Dumas. Essa expressão representa a união existente entre os mosqueteiros. Eles estavam juntos, unidos, independente da situação e dispostos a enfrentar qualquer inimigo. Cada integrante possui uma particularidade, uma característica única. Essa sinergia, ou seja, união de todas as singularidades proporciona ao grupo grandes vantagens.

O livro de Neemias nos mostra outro grupo de pessoas que viveram a frase “um por todos e todos por um”. O povo estava reconstruindo os muros da cidade de Jerusalém. Contudo, os povoados vizinhos começaram a zombar e a desanimar os israelitas. Percebendo que essa tática não se mostrou eficiente, os inimigos decidiram armar-se para a guerra. Foi então que o povo se uniu, e terminou a reconstrução das muralhas em tempo recorde, 52 dias.

Essa passagem bíblica nos ensina muitas verdades sobre a caminhada cristã.                
Em primeiro lugar, quando nos dispomos a fazer a boa obra do Senhor, os inimigos se levantarão para nos desmotivar, desanimar e se possível destruir os sonhos que Deus nos concedeu. “Quando, porém, Sambalate, o horonita, Tobias, o oficial amonita, e Gesém, o árabe, souberam disso, zombaram de nós, desprezaram-nos e perguntaram: "O que é isso que vocês estão fazendo? Estão se rebelando contra o rei?”[Neemias 2:19]. Devemos então trabalhar para completar a boa obra do Senhor e estar prontos para a batalha! “Daquele dia em diante, enquanto a metade dos meus homens fazia o trabalho, a outra metade permanecia armada de lanças, escudos, arcos e couraças. Os oficiais davam apoio a todo o povo de Judá que estava construindo o muro. Aqueles que transportavam material faziam o trabalho com uma mão e com a outra seguravam uma arma, e cada um dos construtores trazia na cintura uma espada enquanto trabalhava; e comigo ficava um homem pronto para tocar a trombeta” [Neemias 4:16-18].

Segundo, os israelitas obtiveram sucesso na reconstrução dos muros porque agiram em conjunto, a frase “um por todos e todos por um”. Cada cidadão ficou responsável por reparar a parte da muralha que estava à frente de sua residência. Cada cidadão foi importante individualmente e como um corpo. Cada pedaço reconstruído foi importante para a reconstrução total. “A porta do Peixe foi reconstruída pelos filhos de Hassenaá. Eles puseram as vigas e colocaram as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar. Meremote, filho de Urias, neto de Coz, fez os reparos do trecho seguinte. Ao lado dele Mesulão, filho de Berequias, neto de Mesezabel, fez os reparos, e ao lado dele Zadoque, filho de Baaná, também fez os reparos” [Neemias 3:3-4].

Em terceiro lugar, quando os babilônios assolaram Israel, eles levaram para a capital todos os utensílios valiosos e também os sábios, homens e mulheres aptos para trabalharem como servos e escravos. Sendo assim, em Israel ficaram os velhos, crianças, aleijados, doentes e incapazes para o serviço braçal. Sendo assim, aqueles que reconstruíram a muralha, e em tempo recorde, foram àqueles deixados pra trás, os incapacitados. Quando Deus nos chama para realizar sua obra, Ele não chama os capacitados, ao contrário, Ele capacita os chamados.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mortos-Vivos




Os mortos-vivos, também conhecidos como zumbis são criaturas fictícias que estão em uma fase intermediária, ou seja, ao mesmo tempo em que estão mortas, também estão vivas. Para tornar-se um zumbi, o ser humano em questão deve entrar em contato com um vírus. Esse vírus modifica drasticamente o corpo e a mente do ser humano. A única maneira de acabar com esse mal é atingindo o sistema nervoso central. Esses famosos personagens estão presentes em muitas séries e filmes.

Os zumbis são admirados por milhares de pessoas no mundo inteiro. Tenho que admitir que não sou o maior fã desses personagens, mas aprendi que temos muita coisa em comum. Após uma releitura do capítulo 6 do livro de Romanos, percebo que estou na mesma condição, também sou um morto-vivo.

Calma! Vamos analisar melhor essa comparação.

“De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição”. [Romanos 6:2-5]. Paulo expressa claramente a nossa condição aqui na terra, estamos mortos para o pecado, mas vivos em Cristo. Estávamos contaminados pelo vírus mortal, chamado pecado. Esse pequeno vírus provocou modificações drásticas em nossas vidas, transformando completamente nossos relacionamentos, desejos, sonhos e muito outras áreas. Destinados à morte, pois o vírus já dominava todo o nosso ser. Contudo, Deus agiu na raiz da infecção, Ele foi ao sistema nervoso central. Injetou a cura para todos os males, “Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” [Romanos 6:23]. Dessa forma a vida entrou em nós outra vez.

O apóstolo Paulo, semelhantemente a um roteirista, continua a história. “Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Pois sabemos que, tendo sido ressuscitado dos mortos, Cristo não pode morrer outra vez: a morte não tem mais domínio sobre ele. Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus”. [Romanos 6:6-10]. Mortos, não podemos morrer de novo, sendo assim, o pecado não pode nos dominar outra vez. Sendo assim, estamos destinados a viver na companhia maravilhosa de Jesus Cristo.

O final dessa história é brilhantemente narrado pelo apóstolo, “Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus”. [Romanos 6:11].